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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

OUVIDO DO NADADOR


Nesta época de férias é comum aparecer casos de dores de ouvido após ter mergulhado em rios, piscinas e/ou  mar.

O que temos é  a  otite externa ou ouvido de nadador :  inflamação da orelha externa e do canal auditivo, que  pode ser causada por infecção, alergia ou doença da derme, embora geralmente seja causada por bactérias e fungos.
Os sintomas são de dor , coceira, secreção e ou perda auditiva, piora quando você puxa a orelha para cima ou aperta oa região do tragus.



A otite externa ocorre mais nos meses quentes, quando as pessoas realizam mais atividades na água. Em função disso, nadadores possuem maior chance de terem a inflamação. Até dez por cento das pessoas desenvolvem otite externa alguma vez durante a vida.

Causas:

A perda da cera auditiva é o primeiro passo na causa da otite externa. A inflamação da pele leva à obstrução das estruturas próximas e prurido. A coceira causa mais lesões. Esta sequência de eventos altera a quantidade e qualidade do cerúmen produzido, migração epitelial e o pH do canal auditivo, que é ácido. A orelha escura, alcalina e úmida se torna um ambiente favorável para o desenvolvimento de microorganismos.

A limpeza excessiva ou arranhadura agressiva do canal auditivo não somente remove o cerúmen como também cria escoriações na camada de pele do canal auditivo, permitindo que organismos obtenham acesso ao tecido profundo. A natação também é um fator de risco para a otite externa.
A principal bactéria causadora é a Pseudomonas aeruginosa. O Staphylococcus aureus também é um importante microorganismo causador da otite externa.

Prevenção:

 O ouvido faz sua própria limpeza, por isso não é recomendado usar cotonetes nem objetos para limpeza do ouvido, pois você pode remover a proteção natural ou mesmo agredir mais ainda a pele.
Para pacientes que fazem natação, devem acidificar a pele para prevenir infecção bacteriana. Pode se usar ácido bórico ou salicílico ou acético. Secar bem a orelha com toalha na parte mais externa ou mesmo o secador.
Após sair da água, caso fique com a sensação de água no ouvido e já tenha tentado secá-lo, pode se pingar 2 gotas de álcool, e colocar uma toalha ou flanela  morna na região do ouvido (não tão quente  para não provocar queimadura de pele!).

 O paciente pode utilizar tampões otológicos (para pessoas que nadam) e gotas de álcool (para acelerar a evaporação da água).

O Tratamento é por corticóide, somente gotas, de uso tópico tipo neomicina, polimixina B, clorafenicol e ciprofloxacina com hidrocortisona, sempre receitados por um médico. O antibiótico via oral recomendado é uma quinolona.


 Um grande abraço e curta as férias!! :)


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Minha experiência no HOUSE EAR INSTITUTE




New bone formation in patients with cochlear implants and otosclerosis
Silveira AR, Linthicum FH Jr.
Otol Neurotol. 2011 Dec;32(9):e38.

Esse é o mais novo artigo em que participei quando estive no House Ear Institute ( Los Angeles-  EUA).
Mostra que pacientes submetidos a implante coclear com otosclerose, apesar de terem sua doença em progresso  e terem os danos causados na cóclea pela cirurgia, elas possuem o benefício da audição.

No House pude observar muitas cirurgias otológicas, desde uma timpanoplastia até exerese do neurinoma do acústico ( realizadas diariamente ). Trocar experiências com os grandes cirurgiões desta instituição. Participar  das aulas e cursos alí ministrados. Colocar a mão na massa em cursos promovidos pelos docentes, onde os mesmos participam ativamente conosco. Visitar a fábrica de Implante Coclear pela Advanced Bionics perto de Los Angeles, abriu minha mente para o entendimento deste aparelho com tecnologia e ponta, aproveitamos e fizemos um curso ministrado lá mesmo com ossos temporais humanos e aprendemos a utilizar o sistema do implante.

Trocar experiências com todos novos amigos ali feitos das mais distantes partes do mundo, colegas como Dra Joana e  Dra Teresa de Portugal, Dra Agueda da Espanha, outros colegas da China, da Tailândia , do México.
Meus agradecimentos:
Dr Linthicum, um expert em  micropatologia do ouvido, com centenas de artigos publicados é uma pessoa com carinho excepcional, mostrando atenção a todos que o procuram.
Dr Fayad , excelente cirugião e professor, mostrou-se acessível em todos os momentos.
Dr House que abriu sua casa para nos receber em um belíssimo jantar após o curso de dissecção do osso temporal.
Um carinho muito grande a todos da família House Ear Institute.

domingo, 24 de julho de 2011

TESTE DA ORELHINHA

Todos sabemos a importância de diagnosticar cada vez mais precocemente as perdas auditivas, pois quanto mais cedo atuarmos maiores as chances de melhora auditiva.

Ainda dentro do útero, a audição do ser humano já se encontra em atividade.
A partir da vigésima semana de vida intra-uterina, o feto tem uma capacidade auditiva igual a qualquer criança ou adulto normal. O feto se familiariza com alguns sons ambientais e, principalmente, com a voz da mãe, o que lhe servirá de referência e segurança após o nascimento (GOERINGER, 1998; BELLMANS, 1997)

O ouvido externo, médio e interno estão essencialmente desenvolvidos ao nascimento.

Abaixo fisiologia da audição:




O nervo auditivo e as vias auditivas periféricas e centrais apresentam um período crítico de desenvolvimento do nascimento até os dois anos (GROSE, 1998). Nesse período, pode haver um grande número de fatores que interferirão no desenvolvimento das vias auditivas.

 Indicadores de risco para a surdez segundo o Join Committee on Infant Hearing (1994):

• história familiar de deficiência auditiva congênita;
• infecções congênitas: sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes;
• anomalias crânio-faciais, incluindo as alterações morfológicas de pavilhão auricular e conduto auditivo enxterno;
• peso ao nascimento menos que 1500g;
• hiperbilirrubinemia a nível de exsanguíneo transfusão;
• medicação ototóxica, incluindo mas não limitando-se aos aminoglicosídeos, utilizada ou não em associação aos diuréticos;
• meningite bacteriana;
• boletim Apgar de 0-4 no 1º minuto ou 0-6 no 5º minuto;
• ventilação mecânica por período maior que cinco dias;
• síndromes associadas à deficiência auditiva condutiva ou neurossensorial.

A audição é fundamental para a aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem. Estudos comprovam que a detecção de alterações auditivas e a intervenção inicada até os seis meses de idade garantem à criança o desenvolvimento social, comparável ao de crianças ouvintes da mesma faixa etária.

Seguindo as orientações internacionais, sugere-se que a triagem auditiva neonatal seja realizada com métodos objetivos de avaliação para garantir a eficácia do programa. Para isso, aconselha-se a utilização do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA) ou da Audiometria de Tronco Cerebral.

 Essa atividade biomecânica de contração da célula ciliada externa produz som. E, foi no início dos anos oitenta que um pesquisador inglês, David Kemp, demonstrou que a cóclea emite ondas sonoras em direção ao ouvido externo quando estimulada por alguma fonte sonora. Essas emissões sonoras podem ser captadas por um microfone acoplado a uma sonda e colocado no conduto auditivo externo. As emissões avaliam a integridade coclear.

Cientificamente conhecido como Emissão Otoacústica e, popularmente chamado de "Teste da Orelhinha", em comparação ao famoso "Teste do Pezinho", é o mais recente método para a avaliação auditiva em recém-nascidos.

   As EOA mais utilizadas são:

1. EOA Evocadas Transientes: são aquelas que ocorrem após estímulo do ouvido utilizando-se um ruído do tipo clique.
2. EOA Produto de Distorção: avalia-se a função coclear analisando-se separadamente cada área da cóclea, uma vez que se sabe que cada região da cóclea é responsável por captar um tipo de freqüência sonora, propriedade denominada de tonotopia.

   O exame é objetivo, rápido, não dói, não há necessidade de uso de sedativos e não apresenta contra-indicações. Uma sonda é colocada no ouvido do bebê e o equipamento emite ondas sonoras que são detectadas pelo microfone da sonda. O processador separa as emissões cocleares dos ruídos (respiração, batimento cardíaco). O resultado é emitido na mesma hora.

   Aplicações clínicas principais:

1. Triagens auditivas neonatais e escolares;
2. Monitoramento auditivo em pacientes que fazem uso de medicação ototóxicas (aminoglicosídeos, vancomicina, furosemida, etc);
3. Diagnóstico diferencial de patologias auditivas;
4. Avaliação auditiva de deficientes mentais e pacientes com respostas inconsistentes à avaliação convencional.